quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mistério de Feirinha

Se lembram do livro "O Mistério de Feirinha"?
Foi um dos primeiros livros que li quando criança e fiquei fascinada. E ficava angustiada ao ver as bruxas malvadas querendo fazer com que a Feirinha acreditasse que o mundo era ao contrário. O feio é bonito e o bonito é feio. Eu queria ser amiga dela, para abrir-lhe os olhos e mostrar que a estavam enganando. E eu queria ficar do lado dela quando ela abrisse os olhos, porque iria doer e ela iria precisar de alguém.
Hoje eu queria que alguém quisesse ser meu amigo, para me abrir os olhos, e pra ficar do meu lado quando eu abrir... porque vai doer. Porque estão tentando me fazer acreditar que o mundo é o contrário.
Mas será que os anjos só existem porque eu acredito?
Onde foi parar aquela nossa telepatia? Enquanto eu ainda estava pensando, você já estava falando...
Hoje falamos línguas diferentes. Você não entende uma palavra do que meu coração diz... e jura que eu não entendo o que você está querendo dizer...
Por que? Por que fazer isso com nossas vidas? Eu definitivamente não estou entendendo.
Não estou entendendo porque coisas tão pequenas estão tomando proporções tão importantes e imensas em nossas vidas. E não estou entendendo como você insiste em me fazer acreditar que coisas tão graves, são tão insignificantes.
Eu estava aqui, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na probreza.
Eu estava aqui, pra não te deixar abalar, pra que você não deixe de acreditar na vida.
Eu estava aqui, pra te amar.
Cheia de defeitos, cheia de manias... mas cheia de amor. E tão imenso era esse amor, que colocado na balança pesa mais, muito mais... Só você não enxergava.
Me entreguei de corpo e alma e coração e... vida... Mas não bastou.
Eu não quero me deitar trazendo mágoa do dia no peito... e você não quer ouvir nem falar.
Eu não quero ficar imaginando, fantasiando coisas... e você não quer que eu pergunte, não quer esclarecer.

Ame a si mesmo

"Cuidado com os olhos de quem não sabe lhe amar...
Eles costumam lhe fazer esquecer que você vale a pena!"
                                                    Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Coloque-se no meu lugar

Acho que um dos grandes segredos da felicidade seja o "colocar-se no lugar do outro".

"Como me dói te ver assim, a me desprezar... Pedirei desculpas por algo que não fiz, só pra te ver sorrindo de novo pra mim!
Coloque-se no meu lugar.
Como é cruel o ciúmes... A ilusão de todo amante é querer acreditar que somos os primeiros, e fazemos questão de fingir esquecer que não somos. Não era preciso ver aquilo.
E agora, o que eu mais queria, era um carinho, era uma palavra... Ou apenas um sorriso, um toque.
Mas você faz questão de ficar chateado por eu estar chateada.
Está doendo, e você não se preocupa em aliviar.
A dor em nosso amor, dói na gente. Então, ou você não me ama e, assim, não imagina como está machucando, ou você gosta de sofrer. Aí sofremos os dois."
Há muito tempo, um amigo me escreveu: "Porque um dia conheci uma jovem que sonhava em ser poetiza, sem saber... que ela já era a própria poesia".
E assim eu era. Intensa de tudo. Sonhava, lia, amava... E eu sentia o amor dos outros, e a dor dos outros, e a poesia...
Mas doía. Era bonito de se ver, tinha conteúdo, tinha história, mas doía.
"O poeta não é. O poeta sente o amor que é da gente".
Dentro de mim havia poesia. Mas doía.
Aí resolvi conhecer um mundo mais leve. E que mundo maravilhoso, fácil de se conviver.
Mais fácil é cuidar da aparência, mais fácil é cuidar do bolso.
E me entreguei, porque não ardia.
E me empolguei.
Mas não sentia.
E quem me conheceu nesse tempo, pode até acreditar que sou descolada, que sou bonita, que sou carente de inteligência.
Mas a beleza tá mesmo mais no fundo, escondida, guardada, porque lá tem poesia.
Eu poderia escolher o caminho mais fácil, mais sinto que tenho uma responsabilidade, um compromisso. E não adianta fugir, a vida vai me encontrando pelas esquinas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

“Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo. Meu deus, como você me doía de vez em quando. Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça. Então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa, que eu vou ficar calado um tempo enorme, só olhando você, sem dizer nada. Só olhando e pensando: meu Deus, como você me dói vez em quando.” (Fragmento de Os dragões não conhecem o paraíso - Caio Fernando Abreu)